25.9.17

Gata Borralheira

Desde que ficara órfã, na tenra infância, SimRemela foi adotada pela viúva de seu pai, sua madrasta Morgana. Vivendo uma existência penosa regada a inveja e requintes de maus-tratos, a rebenta ilegítima não possuía muita esperança em seu coração, só lhe restavam as longas noites de siririca zoófila com os animais que eventualmente surgiam na casa de higiene duvidosa, lagartixas, baratas e, principalmente, picadura de pernilongos, a única pica dura que via em séculos, considerando que atraía brochadas e fodas meia-bomba.

Porém, em uma noite lúgubre, enquanto vasculhava o fundo da despensa na esperança de achar chocolate ou qualquer outro artefato entope-veia, SimRemela encontrou um amuleto, de alcunha Freme, e a roda da fortuna girou, fazendo sua sorte mudar. Freme era um espécime alto, com costas delineadas por Michelangelo, uma bunda maneirista [e maneiríssima!] de deixar qualquer panicat recalcada, fora o beijo que amolecia no ato. Pelo misto de sensações inéditas que sentira, SimRemela tinha certeza de que encontrara sua foda madrinha e que dali em diante sua vida só poderia se tornar um conto de fodas.
Sua madrasta anunciou que haveria um baile de amiúde respeito, em que qualquer pessoa que fosse pega fazendo o mínimo de bagunça rapidamente seria conclamada a recolocar a vestimenta e seria expulsa sem pestanejar do Castle of Vibe Calabouço Bar do Ernesto da solenidade [DOPS nesse brógui tá #fodx!] em que um famoso Dom escolheria uma sub para desposá-la.
SimRemela ficou deveras empolgada! Não era sem tempo que almejava colocar em prática seus sonhos mais obscuros a la Saló Sabrina 50 tons de cinza [tá, paray!]. Mas havia um porém. Somente as filhas da madrasta poderiam ir à festa, todas as roupas de SimRemela eram compradas na Objetiva, fora a profunda formação reativa que sua madrasta nutria por ela, que fez com que arrumasse as mais impossíveis tarefas de se cumprir antes que pudesse ir à cerimônia, tais como dirigir em Alcântara sem entrar na contramão, caminhar por mais de 30 minutos na Presidente Vargas ao meio-dia sem ser assaltada e trabalhar o suficiente para se sustentar, manter uma vida social e horas regulares de sono.
SimRemela ficou desiludida, mas acatou os desmandos do destino, fazendo a única coisa que lhe restava: comendo chocookie enquanto chorava ao som de “Paulinha”, do Calcinha Preta. Mas Freme, seu amuleto, surgiu de surpresa [sua especialidade] mostrando que não estava para atividades de entretenimento e logo falou para SimRemela que a Marisa estava em promoção e que eles dariam um jeito. Ele tinha esse estranho poder de fazer sempre com que as coisas realmente se ajeitassem.
Alçou de seus pertences um minúsculo shortinho preto que SimRemela duvidou de que caberia em seres humanos. Míope, apertava os olhos para enxergá-lo, mas não obtinha sucesso. Eles então optaram por um vestido quadriculado por cima para dar um ar de age play lolita presença de Anita jovialidade [não consigo parar] e ele recomendou que ela hidratasse as longas madeixas com maionese, muito obediente a ele, assim o fez.
Freme a auxiliou no cumprimento de todas as tarefas, com sua beleza, charme persuasivo e seu talento para extrair absolutamente qualquer coisa das pessoas, ele conseguiu parar o caótico trânsito de Alcântara, em todas as mãos sentido asterisco e deu a SimRemela um teaser para se proteger dos eventuais assaltos, além dos treinos de defesa pessoal que passaram a fazer em estabelecimentos de baixo meretíssimo meretrício.
SimRemela deveria ganhar um prêmio por dar conta de todas aquelas tarefas tão rapidamente, era quase como bater punheta, lixar as unhas, fazer palavras cruzadas, boquete e comer coxinha ao mesmo tempo, mas dar era com ela mesmo e ela dava. Conta. Morgana não teve opção a não ser deixá-la ir, mas sua cartada final foi colocar laxante na comida de SimRemela para envergonhá-la no baile.
SimRemela sentiu as primeiras pontadas se manifestarem ainda no trem ramal Japeri, porém não se intimidou, acostumada que estava a conviver com desarranjos. Mal adentrou a festa e avistou o afamado Dom. Do baixo de seus metro e meio, ela logo reconheceu quem estava por trás daquela palhaçada cerimônia solene. Rapunzel nem disfarçara as madeixas arrastando no chão a la Cocker Spaniel e as tatuagens que fizera em seus tempos de Rebelde.
– Rapunzel, sei muito bem o que é o melhor para você, putinha lasciva!
– É mesmo, SimRemela? Vai revelar minha identidade aqui? Eu sei seus podres… e não falo somente dos gases…
– Não, bobinha.
Mas antes de completar a frase, Almeida Prado 46 fez um efeito brutal e a chuva marrom desceu tal qual o bonde do Mengão, sem freio.
O segredo de Rapunzel se revelou, ela era coprofílica, não se conteve e começou a fazer a limpa no chão enquanto agradecia aos prantos à SimRemela pelo melhor scat já feito na vida e tocava uma siririca ensandecida, revelando seus grandes lábios encharcados já totalmente contemplados com as fezes amolecidas e esverdeadas de SimRemela.
– A partir de agora tu és Gata Borralheira e sobre tua Borrada erguerei o meu Reino. – disse Rapunzel, fundando o que mais tarde ficaria conhecido como Chuva Marrom de Cólica Romana.
Ao fundo, Morgana cutucava as filhas, Ydi e Hego, com sarcasmo para a cena. SimRemela a encarou, com a fé de que tudo ficaria bem e eis que o improvável ocorreu. Freme apareceu empunhando sua magnífica espada circuncidada de judeu [nunca vi nada mais lindo na vida, meu Deus, como pode?], também revelando sua verdadeira identidade. Era ele o Dom por trás do evento, mas colocar uma testa de ferro para o trabalho literalmente sujo era mais em conta, sem falar que ele era mulherzinha, não encarava essas atrocidades, só era adepto de práticas leves, tais como Rape Play, Edge Play e Donkey Punch.
– Freme? Então você…
– Sim, Remela, sim, sou eu… Você aceita ser minha devassa particular por toda a eternidade?
Nessa hora, SimRemela teve uma visão ao fundo que fez sua pressão cair. Sem saber como reagir, apenas fugiu, sem perceber que deixara cair sua dignidade e uma calcinha vibratória junto. Freme a pegou, cheirou e rapidamente a afastou tossindo, seu esgar denunciou o forte odor amoníaco, de que jamais se esqueceria.
No dia seguinte, atordoado pelo sumiço de SimRemela, partiu a procurá-la desvairadamente em todos os recantos da Academia Brasileira de Letras e pelo ameno bairro do Jacaré; finalmente a encontrou, consumindo um alimento pitoresco de uma famosa rede de fast-food, ela tentou disfarçar as falhas de caráter, mas ele já havia percebido todas. Deu três saraivadas de piroca em sua cara ali mesmo e a fez voltar para o Castelo. A amarrou no alto da masmorra.
– O que você vai fazer comigo, meu Dom?
– Você sabe…
– Vai ter coxinha? Vai ter CARNE?
– Que cisma com comida, rapariga! Fica quietinha que depois te dou um Toddy. – e nessa hora fez um sotaque peculiar que SimRemela não reconheceu que vinha da região nordeste do país.
– Toddy não, eu quero todos.
E então ele proferiu palavras que fizeram SimRemela se dividir entre o tesão avassalador e o pânico total.
– Quietinha que eu sou necrófilo.
SimRemela sentiu seu coração, naturalmente gelado, tender ao zero absoluto. Agora as punhaladas seguidas que levava de Freme faziam sentido, ele estava tentando matá-la!
– De prazer…
– Oi? – SimRemela não compreendeu.
– Te matar só se for de prazer.
– Você estava lendo meus pensamentos?
– Eu não leio só mão, também leio mentes. Não adianta se preocupar agora com a calcinha Mosofo, eu já vi. Nem com a depilação do buço, eu gosto arranhando. Não, eu não queimo a rosca! Nossa, você só pensa esquisitice!
– Ok. Parou.
– Ei! Quem dá as ordens aqui sou eu. – Freme se aproximou já espancando a alva face de SimRemela – e eu quero você bem quietinha.
SimRemela acatou, completamente entregue àquele homem. Deixou que ele a fatorasse inteira, explorasse todos os recantos de sua floresta encantada, cada estocada soltava pirlimpimpim dentro dela, proveniente daquele gancho majestoso, nem todas as princesas da Disney juntas viveram tal magya proporcionada por aquele príncipe encantado. Exausta das fartas gozadas de todas as formas que Freme lhe proporcionara, SimRemela somente pôde aceitar o seu destino.
– Não é possível que as pessoas possam ser tão felizes assim – disse Freme.
– Quer ser feliz para sempre no meu conto de fodas comigo? – arriscou ela.
Ele apenas sorriu e se afastou, a deixando sem resposta, completamente amarrada, esporrada e com aquele cheiro fortíssimo do perfumista japonês compondo a aura de serotonina com ares de Era uma vez.

Nenhum comentário:

Postar um comentário