25.9.17

Nós só temos o agora

Quis me enraizar em você, armar abrigo. Mas somos asas em correntezas distintas. Fôlegos de céus que se dispersam.
No improvável reconhecimento, estranhos. Familiaridade arredia. E na cisão ainda somos um. O mesmo. Prazos, calendários e normas tácitas nos limitam, e só temos ruínas como certeza. O amanhã nos foi roubado. Não asfaltamos a estrada.

Foi este o veredito desde que suores anônimos e álcool nos levaram à mesma boca.
Mas no furto finito do seu toque, tenho toda a eternidade, e o tempo me pertence. Sou integralmente seu por direito. Da névoa que me escapa, o mundo é vertido em posse nas minhas mãos. E se demora. E perpassa a mentira do tempo. E sua voz em mim recria nossa lógica particular.
Nós só temos o agora. Todo o resto é ilusão vestida de coincidência. Então me inunde de você. Me transborde com todos os fugidios agoras. Eles são nossos.

Originalmente publicado em Sensations. Curta.

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