25.9.17

Perdas e danos

Valentina. Até galinha preta pra exu eu já tinha matado. Inclusive nesse dia perdi minha calça branca preferida, a que eu usava pra fazer cover de Xanddy, do Harmonia do Samba.
O santo falou que não podia mais usar a roupa do ebó, acatei. A voz embargada do santo, no corpo da minha mãe de santo, lembrava a do Eddie Vedder, quem iria contrariar aquela voz ao pé do ouvido? Rodei gira no terreiro em Jardim América, fumei charuto com cachaça pra Zé Pilintra. Nada. Minha mãe de santo, um travecão de mais de 1,90m, ainda mais alto que eu, já tinha dado o veredito: Xangô não quer te dar essa mulher, não, caboclo, você tem muito pouco cabelo, mas se quiser tentar… Fica na casa dos trezento reau.

Eu tava desesperado, eu fui. O último trabalho consistia em passar uma galinha morta pelo meu corpo nu e entregar pra Jeová, enquanto minhx pãe de santo assoprava a fumaça do charuto nas minhas bolas. Sentia cócegas,  mas prendia o riso. Deus me livre o santo achar que era deboche. Assim eu fiz. Inúmeras vezes. Dona Maria foi bem clara: se ficar igual a um dois de paus não vai adiantar, milagre não faço. Fiquei meio??? Na minha vida nem o sobrenatural dá jeito!
Parti para a abordagem mundana novamente, mas Valentina já tinha saído das duas últimas editoras em que tive notícias que trabalhou, a mulher parecia ter corpo fechado, contrariando o cuzinho tão alargado. Saudoso cuzinho! Boas estocadas dei ali. Mas mais saudoso ainda era o cuzinho da Credislaine, sua melhor amiga.
Fato é que a primeira vez que tracei Valentina, tracei Credis. Foi um menage do qual nunca me esqueci. Acabei me envolvendo com Valentina, a responsável por esvair todo o meu FGTS nas mais variadas macumbarias, é que apesar de judeu e ateu satanista sou baiano, vai que. Mas não tinha jeito, até o oculto jogava dia após dia nessa minha fuça que ela jamais seria minha. Eu me decidi. Se não seria minha, não seria de mais ninguém.
Dei logo um jeito de Robertão, minha mulher, que é polícia e ariana das braba, “descobrir” que eu tinha uma amante, sabia que não ia deixar isso barato.
Aquilo que é mulher. Um dois por dois de voz tão delicada que certa vez foi stand in em um show do Slipknot e ninguém percebeu que quem cantava era ela, toda essa homarada fica humilhada por Robertão, Seu Jorge, Noriel Vilela, Maria Gadu. Quando soube que Robertão que tacou fogo no museu da língua portuguesa pra “dar um aviso” pra ex do seu ex que trabalhava lá, fiquei apaixonado no ato, mês depois já tava casado e bem no chicotinho.
Robertão, mulhxr empoderadx que sabe o que qué. Deixei uma prova sutil, uns vídeos meus com Valentina enquanto a comia e berrava: “Valentina, puta rampeira, isso, você é muito mais mulher que Robertão, come meu cu muito mais fundo, minha Ju Pantera, minha Neymar, oh, craque nas chupada!”, claro, só isso era pouco contundente. Deixei também endereço de Valentina e uma cópia da sua certidão de nascimento e raio X da arcada dentária. Pronto, Robertão faria o serviço e eu sem culpa nenhuma. Mexeu com a pessoa errada.
Fato 2 é que eu precisava deixar as provas e sair de casa, não queria que sobrasse pra mim, trato minhas bolas a Victoria’s secret. Juntei o inútil ao desagradável. Pra tudo ficar perfeito, fui atrás de Credislaine matar dois pentelhos com uma caixa d’água só. Ia distrai-lá com meu charme de ilusionista para que Robertão encontrasse Valentina sozinha, e, de quebra, empurrava nela. Era cuzinho que opera milagres!!!
Eu sabia tudo de Credis. Onde trabalhava, onde morava, que seu ponto fraco é a nuca. E minha benga, claro, que aquilo é bem fura-olho. Cheguei no trabalho dela com um chocolatinho, Coca e pastelzinho de camarão pra amolecer o coração. Mal sabe que despejei meia ice na Coca pra deixar ela bem doidona.
Olhinho começou a revirar era a hora, virei de quatro, levantei a saia que de tão curta quase não precisava e meti fundo, o cu sugava e pulsava como um ciclo de krebs a cabeça da minha rola. Que cu sedento, pensei que ia arrancar minha piroca!!! Tirei pingando merda, notei que a combinação do lanche que levara não tinha sido das melhores, mas muito machão ignorei, cravei tudo na boquinha de veludo.
Ela, já muito doidona, nem percebeu, foi chupando igual uma cabritinha criada em casa, não que eu já tenha feito isso diariamente a adolescência inteira duas vezes por dia atrás do quintal de casa inspirado pela Mônica Mattos, longe de mim. Arregacei ela toda que nem frango de padaria e cravei fundo na buceta.
“Mais, mais, mete mais”, gritava insana. Só pude falar: “Caralho, não tem mais. Isso é uma mulher ou o túnel Rebouças?? Puta que pariu, hein?!” Tava prestes a gozar, ouvi um barulho, ela gritava mais que Christina Aguilera em I turn to you; tapei sua boca e olhei pelo espelho do escritório a sala de espera. CARALHO ALADO PEGASUS FANTASY KIKO LOUREIRO ME POSSUA.
Era ninguém menas que minha sogra, mãe de Robertão. Aparentemente a tal Credislaine, advogada dela de umas tretas aí do tempo que ela era contraventora de jogo do bicho, era a mesma Credis cuzinho mágico!!! Como fui inocente!! Não podiam existir duas nessa cidade que do Jacaré ao Itanhangá todo mundo se conhece!
Sem pensar muito, tomei a única decisão acertada, peguei o mimeógrafo, primeira coisa que vi, e dei com ele na cabeça de Credis até matar, escondi o corpo no banheiro. E aproveitei a guilhotina pra tirar o escalpo e usar como peruca. Qual seria outra solução plausível? Vesti também suas roupas, agora tava tudo nos conformes pra me passar por Credis pra minha sogra. Meu único medo do plano perfeito não dar certo é que não sei porra nenhuma de direito.
Mas Deus ajuda os inocentes!!! Descanse em paz, Credis, desculpa o mau jeito, nem tão jovem era mais. Mas talvez fosse seu desejo, vai encontrar Valentina em breve on a highway to hell. Fiz uma oração pro diabo que a carregue e me recompus.
“Oi, sogr… Digo, sra Robertina”,  disse eu estendendo minha mão, completamente suja de toda sorte de fluidos da agora defunta.

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