11.10.17

desequiLibra

Dizem que Ar e Água são elementos bem dissimulados, e eu, como boa libriana, endosso o clichê. Mas também como boa libriana, dual, às vezes consigo honrar a "transparência", ou chame como quiser, do ar. É que essa dissimulação não é totalmente verdade quando se trata de extremos.

O "problema" é que extremos são muito raros para nós, embora eventualmente, principalmente se houver um ascendente em fogo, os busquemos.

Nunca interpretei Libra como alguém propriamente indeciso, mas como desinteressado e inerte, e daí decorre o famoso tanto faz. Porque se você é anestesiado para o mundo e não gosta de nada e nada te interessa (ou, ao contrário, tudo é bom e o mundo é uma festa), não faz muita diferença escolher, tudo é reiteradamente mais do mesmo. Tanto faz.

Mas é claro que há exceções. Há aquelas coisas, pessoas, "uarever", que vão despertar algo em você. Bom ou ruim. E você não só vai se posicionar como vai ter a merda da cisma do "tem que ser isso".

É que é tão difícil algo realmente se destacar, chamar a atenção e interessar, que quando acontece dá vontade de não soltar nunca mais, de agarrar igual a um maníaco, de se fundir com aquilo seja o que for, profissão, namorado, sabor do sorvete.

Um amigo meu, também libriano, definiu isso muito bem quando mandou a pérola: "Você não responde ninguém nunca, mas quando aquela pessoa manda mensagem, mandou 12h30, 12h28 você já respondeu." E é isso. Dá para estender como analogia para todas as coisas.

A verdade é que eu nunca quero nada, mas quando acontece de eu querer é com a intensidade da soma de todos os meus tanto faz. De uma vida de multidões. Da mesma forma, quando algo realmente me incomoda, realmente me incomoda. A cara fecha sozinha, adianto passagem de avião ou pego Uber mais caro que passagem interestadual, não importa que eu vá ter que trabalhar dobrado por isso. Quando incomoda, a gente escala montanha, atravessa a Baía de Guanabara a nado, a gente vai a pé.

Chame isso de impulsividade. Eu chamo de não suportar dissimular e manter situações, pontuais ou extensas, que te fazem mal. Uma situação que te desequilibra.

E aí vem o tal do equilíbrio libriano, que não necessariamente temos, mas buscamos. Buscamos a simetria em um mundo torto, em vieses tortos, em pessoas tortas, em nós mesmos, talvez os mais tortos nessa história toda. E acho que faz parte da dose de irrealidade libriana a dificuldade em encarar que esse equilíbrio, no mundo real, não existe, mesmo que na maior parte do tempo ele esteja, ainda que forjado, dentro de nós.

Talvez por isso seja tão difícil permanecer nessas situações e precisemos fugir delas. Acontece que quando bagunçam a nossa casa interior, precisamos correr para algum refúgio exterior que nos pegue sozinhos e nos dê o equilíbrio. Que possa nos colocar de novo nos eixos da nossa balança.

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