11.10.17

Love is a temple, love is a higher law

Estava aqui ouvindo "Tourne" e me lembrei de quando você me apresentou à Shy'm, dizendo que eu parecia com ela.

Você me via em várias pessoas, lembra? Eu entendo, porque ainda te vejo em muitas. Do porteiro do meu ex-trabalho (que, embora você tenha ido lá várias vezes, sequer conheceu, tão embevecidos que éramos um com outro para lembrar das "listas de coisas para conversar") a vizinhos e personagens.
E você me pediu para aprender a letra, porque sempre quis "tocar para alguém cantar essa música". Mesmo sendo uma negação em francês - e em cantar - e, como sempre, atolada de trabalho, dei um jeito de, entre viagens na barca e momentos insones, decorar a letra.

Nós cantamos ela naquele sofá emprestado; emprestados tal qual fomos nós dois. Você me disse que não se arrependeu da tatuagem, saiba que nunca duvidaria disso, porque o que temos é mais que trocado, é compartilhado, não importa o quanto fiquemos afastados ou sem nos falar. O que pode mudar um encontro tão forte de almas? (Sim, você sabe bem o quanto a identidade que temos vai sempre, de algum jeito, me fazer falta. Mas é uma falta que conforta, sabe?)

Ainda sou e sempre serei grata por tudo. Quando falei para você que só ter te conhecido valia a pena a vida inteira, e que não importava nada do que tinha me acontecido ou do que fosse me acontecer, era verdade. E ainda é tão verdade que, mesmo nos piores momentos que tive (que você, como bom "judeu-macumbeiro", soube prever entre minhas grosserias e caras emburradas), basta lembrar daquela época que a mesma plenitude (acho que é isso, felicidade sempre foi bem pouco perto de tudo) me invade, ainda sinto aqueles socos de dopamina.

Por muito tempo me arrependi do fim, é verdade, mas hoje, mais afastada da situação toda, vejo o quanto foi necessário. Eu fui um erro na sua vida, nós sabemos, ainda que não intencional. Inversamente proporcional a tudo de acerto que você foi na minha. Você me fez fazer tudo. Tudo o que eu tinha que fazer, tudo o que tinha que conquistar, tudo o que tinha que perder. Você falava sobre meu processo de identidade como ser humano e você estava repleto de razão (para variar...), e hoje só sei ser feliz e grata por esse processo ter passado por você. (Minha admiração não diminuiu nada.) Eu tive sorte. Eu tive muita sorte de ter conhecido você. Eu tive muita sorte de você ter me amado. Eu tive muita sorte de ter amado você.

Eu não amo você mais, e imagino e, principalmente, espero que você também já não me ame. Mas amo tudo o que fomos. Você ter aparecido na minha vida para mim só provou o quanto é a maior verdade aquela frase que você "escreveu desenhando", com seu talento irretocável de "artista da simetria", embaixo de um desenho nosso, que você também fez, naquele apartamento em que nem moro mais.

Naquele apartamento que no dia que aluguei você entrou comigo e tocamos violão na sala vazia. E você, como sempre, me acalmou dizendo que tudo ia dar certo. Eu só tenho mesmo a te agradecer por tudo. Você me deu um quadro desenhado por você "Make it happen", mas foi você que me ensinou a fazer acontecer, que me deu toda essa sede de vida.

Um dia eu estava no trabalho e ouvi "I want to know what love is" pensando em você. Assim, bem no começo, quando nos conhecemos e sua letra perfeita e seu jeito de andar já eram suficientes para me dar a paz de que viver tem sentido. E, sabe, você me fez conhecer, sim. Você me mostrou. Apesar de tudo, sempre vou ser grata à vida por você, assim como pensar em você sempre vai me dar a mesma paz por tudo o que você me fez em amplos sentidos.

Obrigada por fazer acontecer na minha vida a maior de todas as verdades, aquela tematizada naquela frase que escreveu na parede, e que sempre vou levar comigo para minha existência como ser humano: love is a temple, love is a higher law.

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