25.11.17

Dentro de mim, sol

Coque no cabelo, um livro pela metade no sofá, a chuva impiedosa molhou minhas roupas na corda. Todo o mundo lá fora só serve para lembrar que esqueci de comprar pão integral.

Aqui, algo de Samba em prelúdio. Algo em rastros, gosto de restos do que me escapou. Mas nada disso desce amargo, pelo contrário. São cortes de cenas. E todas elas me envolvem em arco-íris, pôr do sol e quinta-feira. E me distanciam do dia cinza que não me atravessa.

Escrevi tantas coisas na minha cabeça, mas, meio dormindo meio acordada, esqueci. Obscenidades indissociavelmente misturadas a músicas que celebram opulentamente dores de cotovelo, chifres de todos os gêneros e desilusões das mais variadas só mostram todo o tempo que perdemos com inutilidades das mais diversas ordens.

Eu rio quando toca Regra três. E me dou conta de que talvez precisemos desse "tempo perdido" em copos e becos para ter a alma leve. Só podemos voar depois que conhecemos nossos demônios.

Como pode chover tanto lá fora se dentro de mim sou toda sol e incidência de luz em recantos improváveis?

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