4.1.18

Como de lado, como de quatro

Eu como várias mulheres todos os dias.

Tímidas, despudoradas, sedentas pelo meu pau, de metidas enviesadas, de sentadas profissionais, de chupadas sem jeito, de boquetes homéricos, de tudo muito no mais ou menos. De tudo e de nada. E dos meio-termos.

Como de ladinho, como de quatro, como papai-e-mamãe, como com força, como devagar. Como sem reservas, como com pudores, como puxando a calcinha pro lado, toda vestida na rapidinha. Como fingindo que não vi a calcinha bege que ela tira com vergonha, como de pau improvavelmente duro pra calcinha de bichinho de algodão, como a que vestiu minha cueca, como com cheiro de clichê a toda impecável de espartilho. Como a que levou um chicote, a que domina a porra toda. Como a que pega meu pau com pouca intimidade.

Como a que fazia aula comigo, como a da academia, como a da balada, como a do Tinder, como a prima que não via há anos, como a que não se prende a nenhum desses lugares.

Como ouvindo Marcus Miller. Como ouvindo Led Zeppelin. Como ouvindo Mc Livinho. Eventualmente como ouvindo Raça Negra. Até ouvindo Odair José, eu como.

Eu como e sou comido. Em gemidos falsos, em arrepios repentinos, em suores desgastados, em assados no dia seguinte, em marcas pela pele, em nada demais, em nem me lembro do nome, em até esqueci que transei ontem, em fodas memoráveis em conjugados em outros estados.

Eu como também mentalmente nas minhas punhetas, é claro. Mas, na esmagadora maioria das vezes, eu como.

Meto minha piroca com força, meto sem me importar, meto com carinho, meto com cuidado, meto pra eu gozar, meto preocupado com ela, meto querendo impressionar, meto pensando na escalação do Flamengo, meto chapado, meto sem pensar. Eu meto, eu só meto.

Todos os dias. Todas as mulheres. De todas as ofertas, físicas e mentais, possíveis.

Mas todas elas me deixam com o gosto da sua buceta. Da sua sentada na minha cara. Da sua boca no meu pau. Da sua buceta escorrendo melada, da sua boca com o gosto da minha piroca, do restinho da minha porra escorrendo no canto da sua boca. Dos seus cheiros, dos seus toques, dos seus pentelhos. Seus cabelos grudados de suor. Sua respiração ofegante reclamando do ar rarefeito. Seu hálito de nós dois.

Todas, todas elas. Todos os dias e sempre. Porque eu posso comer várias mulheres - e eu como mesmo, sem muitos princípios morais envolvidos nisso. Afetos? Menos. Mas todas elas me trazem, inevitavelmente, o vazio de você.

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