20.3.18

A inquisição da contemplação

Todos nós, aqui sentados no calçadão da praia de Copacabana à noite, buscamos respostas.

Alguns se iludem com o olhar da contemplação; outros, com o chope regado a samba ao vivo. Ilusões momentâneas, que logo se dissipam e deixam na boca somente o incompleto, vazado, vadio.

O que todos fazemos aqui, conscientes disto ou não, é o mesmo: buscamos respostas. Da olhada na bunda das novas garotas não só de Ipanema mas de qualquer canto da Zona Sul, passando pelos casais fazendo fotos entre saliva e areia até os pretensos poetas existencialistas, como eu, todos buscamos respostas.

Chega de saudade que agora toca só corrobora o que falo, o gosto da esperança da volta rasga sorrisos e convicções e, para mim, o peito. Eu sempre achei que era impossível ser infeliz no verão do Rio de Janeiro. Enchendo os pulmões com o ar da noite da beira da praia de Copacabana, pra ser específica, o que faço agora.

E aqui, vendo os rostos que contemplam à minha volta e também olhando dentro de mim, percebendo o quanto essa cidade nunca mais vai ser minha de novo, por mais que eu a enlace novamente e novamente e novamente, só constato que viver é um compêndio de nunca termos razão. De descobrirmos, dia após dia, a nossa constante falta de razão.

Será que João Gilberto descobriu que ela não volta?

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