20.4.18

Eu preferia que nós dois nunca tivéssemos dado certo

Quando você ressurgiu mandando mensagem, achei que seria só mais uma foda e que depois você iria embora, como das outras vezes. Eu estava curada de você, então não tinha problema nenhum, e uma foda contigo não se dispensa por essas bobagens de orgulho.

Mas houve outras vezes. Nós continuamos. Em todas elas eu estava imune ainda, sabe? Eu realmente pensava que eram só fodas casuais e pronto. E que era só isso mesmo pra nós dois. Em momento nenhum eu acreditei, então não tive medo, nem aviso, nem cautela. Pra que me preocupar com essas coisas? A qualquer momento iríamos pular fora ilesos, isso parecia tão certo.

Fico pensando em que momento teria sido seguro parar.

Eu preferia que você não tivesse voltado.
Assim, desse jeito, com cara de quem veio pra ficar. Que nunca tivéssemos nos envolvido tanto. Que você tivesse sumido, que eu tivesse ficado indiferente. Assim seria mais fácil, assim seria melhor. Eu penso no quanto nós dois fomos irresponsáveis com nós mesmos, antes de qualquer coisa.

Eu não queria ter descoberto o quanto nós dois damos tão certo. Eu não queria ter deixado nós dois nos envolvermos tanto, nos descobrirmos, nos permitirmos. Sermos. Rir de besteiras, implicar um com o outro desavisadamente e compartilhar aquelas coisas mais sérias que mais ninguém sabe. Nos mostrarmos.

O foda é quando a gente descobre que pode ter magia também no dia seguinte, depois do felizes para sempre, e é bem isso. Por que você deixou, e me deixou deixar, sabendo que eu tinha que ir embora? Que merda.

Sabe, eu preferia que nós dois nunca tivéssemos dado certo.

O que eu faço agora?

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Publicado originalmente em Poligrafias.

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