7.4.18

Talvez o amor não seja, esteja sendo

Eu não sei o que é o amor, por isso esse texto é uma aposta.

Eu rolo os dados e não sei se quero olhar o resultado. Amor assusta, né? E às vezes é mesmo melhor não termos uma resposta.

Essa palavra faz uns retesarem alguns músculos, se esquivarem fechando os ombros. Também faz olhos brilharem e carrega um súbito pensamento involuntário em alguém.

Eu nunca achei que amor fosse algo decretado e muito certo, ou que te enchesse de certezas, paz e segurança o tempo todo. O nome disso é quitação de financiamento, e amor  tem um quê de nome no Serasa.

Eu sempre achei que o amor gosta de se esconder, e dormir um pouco, e de aparecer em alguns momentos, em alguns estalos.


Amor é algo entre brigar por quem lava a louça e terminar trepando no chão da cozinha. É algo entre a mecânica de um dia útil e lembrar do olhar enquanto lava a louça e você se sentir feliz, esquecendo que acabou de quebrar a garrafa de Eisenbahn na cozinha, sua única companhia para o final de semana. Amor é algo entre o coração apertar e se sentir em casa naquele cheiro na nuca. Amor é algo entre a plena consciência e a total anestesia.

Amor te deixa confortável, amor te sacode. Amor dá vontade de aconchego preguiçoso na terça-feira, amor dá vontade de fazer faxina às três da manhã.

Talvez o amor seja tudo isso. Talvez o amor não seja absolutamente nada disso. Talvez o amor seja o abraço no portão no Lago Norte ou aquela música fazer sentido na mesa do bar. Talvez o amor não seja, esteja sendo, e justamente por isso talvez sua solidez seja resultado de precipitação, se equilibrando entre química, anacronismo e ambiguidade.

Eu não sei o que é o amor, eu não sei mesmo. Mas um céu tão bonito quanto o de hoje me faz arriscar que te abraçar ainda deveria ser minha melhor aposta.

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