7.11.19

Sina

Acendo um cigarro na varanda contemplativa.

Tudo o que eu queria hoje era dar umazinha contigo, igual àquela última aqui em casa, bem aqui.

Era só uma carona do nosso encontro por acaso e umas cervejas não planejadas no caminho. Mas casa vazia e aquela água vira uma referência nossa, música no violão e olhares que esquentam.

Vejo as luzes da cidade plana, uma bebida nem sei de quem que achei na geladeira, você chega manso por trás, cheira minha nuca, pescoço, colo. Suas mãos navegam donas até dentro da minha calça.

O cheiro do meu desejo por você invade o ar, e eu louca pra que você sinta o jeito como você me deixa.

Você se abaixa, abre o zíper, desce a calça até o meio das minhas coxas, puxa a calcinha de lado. Passa a língua devagar pelos lábios, de um lado pro outro, até chegar no grelo. Eu cravo minhas unhas nas suas costas, encharcando sua barba por fazer.

Me esfrego na sua cara pra você saber quem manda. Te seguro pelos cabelos, te olho nos olhos. Nesse jogo eu que dito as regras. Sento em você devagar, quero te mostrar cada pedacinho de mim, te engolindo aos poucos. 


Sorrio sacana vendo você se contorcer embaixo de mim, dentro de mim, apertando meu quadril com força. Eu sei que os roxos dos seus dedos vão durar dias, rio de novo do seu desespero e intensifico.

Você arranha minhas coxas, gemendo nesse timbre gostoso, grunhindo, urrando.

Tudo em volta parou, como se só existisse a gente no mundo. Ruídos da efusão de tantas ruas. Cores do vaivém frenético. Cheiros fundidos indecifráveis. A brisa da calmaria.

Só consigo pensar na injustiça das paixões. Algumas rolas gostosas não deviam vir presas em mentes tão fascinantes.

Aceito minha sina. Apago o cigarro e volto pro quarto vazio.

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