10.10.21

Id

Manifesto, claro. Sem que me tomem hipnose, método catártico, livre associação. 

Manifesto não por pulsão ou qualquer coisa necessária e alheia a mim. Por descaminhos bem-sucedidos de atos falhos.

Manifesto por vontade. Opção, pura e simplesmente.

Recalquei você em sintoma, porque é assim que se aprende a fazer; é assim que se diluem fatos, categóricos, eles me disseram.

Mas você não ficou me surgindo somente nos subterfúgios pouco percebidos, quem me dera.

Toda essa história de conversão é falsa, pois insuficiente.

9.10.21

Presença

Sábado, na rua famosa da cidade grande, permito-me ser absorvida por uma galeria.

Galeria dessas que tudo o que ostentam apenas choca momentaneamente olhos indiferentes àquilo que se rasga de real.

Bobagens de finais de semana requintados.

Paro.

4.10.21

Prefácio ao livro Confissões de Valentina

Dizem que a arte imita a vida, e a vida imita a arte, e repetimos faceiros essa ideia por aí, certos de que a correlação se esgota nela mesma, nos satisfazendo ao pensar que ela diz respeito ao que tem de real e árido na arte e ao que tem de ficcional e mágico na vida.

Como se, nessa relação solidária, tanto vida quanto arte aparassem suas respectivas arestas e se apresentassem sob uma forma perfeita, com uma superfície tão polida e lisa que tudo o que faz, muda e com um cândido e tranquilizador sorriso estático, é refletir.

Mas, como superfície que é, essa impressão não vai além dos muros e das vitrines que, acostumados, olhamos de relance sem reparar as alterações que ali se fizeram. Pior, sem minimamente vislumbrar os universos que muros e vitrines ocultam.

1.10.21

Olhos de inquisição

Não
Não me coloca desse jeito no teu tribunal
Sem direito a escusa e sem defesa
Ré confessa por dolo

Nem dia útil era, não vale esquiva
Mas quando não se tem mais escolha
A não ser acatar?

As imposições do desejo
Das mãos
Da respiração ofegante
Do gemido involuntário e a quentura das pernas
As rezas