15.7.22

Marcas Mortas (Doce e Sacramente Fincadas)

"A verdade é que eu minto, que eu vivo sozinha, não sei te esquecer."

Quantas e quantas incontáveis vezes te pensei/escrevi/dediquei essa música, em particular esse trecho, pelo tanto que ele fala desse sentimento com que a gente precisa se acostumar, mas que não há mordaça no cotidiano que o cale?

Um texto é só um texto. Ainda que inspirado pelo cotidiano, é preciso separar os nossos sentimentos (e desejos, principalmente) de leitor das estruturas tão lógico-racionais que frias e calculadas ali se apresentam.

Mas se essa é justo uma das nossas conversas de alma, nunca seria só um texto. Principalmente se você sabe o poder que tem de revolver tudo que eu sou. Sim, meu muro existencial intransponível desde sempre, tão aberto-claro-dado pra você.

Então pensei em lhe falar. Dizer o quanto eu queria não saber. Não ter lido. O quanto em muitos dias eu evito te ler. Porque há muitos dias em que eu PRECISO evitar te ler. Fui tomar banho como se a água escaldante pudesse evaporar a vontade, como se a conversão no vermelho da pele pudesse materializar e então sanar a merda dos sentimentos não ditos. Falar o quanto é cretino isso tudo - sim, por sua culpa. Falar o quanto você elabora boas metáforas. Falar o quanto eu continuo, anos, milhas e vidas depois, queimando você.

Mas adianta? O que eu teria de você seria um dos dois de sempre: a não resposta ou a piada evasiva e fugidia. Sim, eu desisti de perseguir os rastros, porque já os conheço e antecipo.