Sobre & Categorias

Dizem que a arte imita a vida, e a vida imita a arte, e repetimos faceiros essa ideia por aí, certos de que a correlação se esgota nela mesma, nos satisfazendo ao pensar que ela diz respeito ao que tem de real e árido na arte e ao que tem de ficcional e mágico na vida.

Como se, nessa relação solidária, tanto vida quanto arte aparassem suas respectivas arestas e se apresentassem sob uma forma perfeita, com uma superfície tão polida e lisa que tudo o que faz, muda e com um cândido e tranquilizador sorriso estático, é refletir.

Mas, como superfície que é, essa impressão não vai além dos muros e das vitrines que, acostumados, olhamos de relance sem reparar as alterações que ali se fizeram. Pior, sem minimamente vislumbrar os universos que muros e vitrines ocultam.

Tal qual o buraco, o mistério é mais embaixo. Tudo o que a arte faz é simular o desvio. O erro e a dor, a cegueira e o grito, a negação e a bagunça, o gozo e a ferida. O pecado. Todo o resto, que se perde em missões de fruição e escapismo, é acidental. Acidente este que decorre de seu propósito único e último, afinal, pecar e tropeçar compartilham a etimologia.

Enganam-se, por escolha, os que colocam perspectivas, contrastes, rimas, métricas e toda sorte de simetria no pedestal do sagrado, pois também ela, veja você, é desvio.

Também ela, a simetria das colunas dóricas, dos contrastes bem talhados em pedra e dos sonetos do Parnaso são o véu da ilusão. A ode quase religiosa a Vitrúvio, Michelangelo e Bilac mascara o que eles realmente fizeram: romperam com seus antecessores, negaram o que os precedia. Eles pecaram. E foi por isso que fizeram arte, não por causa de suas proporções perfeitas. Foi apesar delas.

E é nesse pecado que vida e arte se misturam e vez ou outra brincam de se tornar uma só. São as lacunas que louvamos e a forma como as tornamos perfeitas, mas nunca a perfeição per se.

E é nesse pecado, também, que se baseiam as Confissões de Valentina.

São confissões devido ao caráter meio crônica, meio epistolar, meio confessional da maioria dos textos.

Em geral, eu, Carolina Palha, escrevo sobre relacionamentos, amor, sexo/ sexualidade, comportamento e sociedade. Academicamente, sou da subjetivação, com foco nas sexualidades ditas desviantes, e tenho um pé nos estudos do imaginário, então, para situar, são esses temas e perspectivas que atravessam todos os textos.

Primeiro, as
categorias de contos eróticos, que originaram o blog, os Contos de fodas, paródias de contos de fadas, Hora de desventura, um flerte com o universo nerd (alguns nerds transam, por incrível que pareça, embora eu não esteja entre eles), Desafio das 10 palavras (contos humorísticos com tema e palavras escolhidos por leitores, amigos etc. Sim, você pode solicitar um por e-mail, comentário, sinal de fumaça...), Um tapinha não dói e Play hard, ambas de contos eróticos "sérios" (nunca acreditei nisso), a primeira com uma pegada BDSM, e, a clássica, Contos venéreos, contos eróticos humorísticos baseados em situações reais.

Algumas c
ategorias têm personagens fixos (Cartas a Elizabeth, bigodinho salafrário de personagem rodriguianoAquele cara, 101, Esboços de Brunelleschi, Centauro, Olhos de tempestade), outras têm textos sobre temas variados e personagens genéricos (Reflexões e desabafos).

Há as categorias referentes a alguns livros meus publicados ou no prelo,
Cem homens (crônicas curtas e humorísticas inspiradas em 100 homens que conheci), Todos os videntes têm razão (ficção com uma pegada humorística e motivacional, ambientada no mercado editorial, sobre acreditar no amor e ter fé na vida), Cartas a Elizabeth (reunião dos textos da categoria, com alguns não publicados aqui), O (não) lugar do amor (ficção baseada em uma reflexão teórica sobre o "amor líquido" do sujeito fragmentado), 69 sonetos de sexo e amor rimando com dor, o título já é bem elucidativo.

As categorias como 
Músicas, 13 Coisas e PoliDesafio englobam texto escritos com um propósito determinado, e Convidados, como vocês já imaginam, são textos de outros autores de que gosto, que quiseram escrever aqui e/ou que se relacionam a outros textos/categorias.

Por fim,
Acadêmicos e afins são os textos críticos, resenhas, artigos e outras coisas do tipo, mais técnicos e teóricos, sem a pegada ficcional de todo o restante do blog (ficção maior do que escritor transar não existe, gente).

O número 13, como o ás de espadas, representa os ciclos, os recomeços. Assim, é um olhar bom sobre a sofrência, você vai ver que eu mordo, mas assopro.

E por que Valentina? Primeiro, porque são confissões de uma personagem, não de uma pessoa real, daí o pseudônimo. Depois, por uma inspiração na Valentina do Crepax, a fotojornalista que tematiza o caos dos sonhos mais profundos e caóticos.

Então, bem-vindo, mas não tanto. Algumas emoções não pedem o mínimo comedimento, desbrave-as sem moderação; afinal, como a Valentina original eternizou na pele: Le attrazioni sono proporzionali ai destini.
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Confissões de Valentina. O sentido da vida. Das lágrimas à gargalhada em 2 segundos. Ou não.

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