25.9.17

Consignação

Peguei você emprestado. Não devolvi, me tomaram de assalto. Ou a assaltante era eu, querendo tornar residente o que era passagem. Não sei em que golpe de bom grado a vida me entregou você naquele 5/11, entregou para uso que, eu não sabia, era temporário. Mas prefiro pensar que a culpa foi minha. Que a vida foi generosa e eu não soube ser grata, que de algum jeito tudo poderia ter sido tão diferente.

Que, sabe, você poderia não ter sido só um empréstimo, mas uma parte do que eu sou, porque foi meio isso que ficou agora. Aconteceu, e o que eu faço a respeito?
Mesmo você não fazendo parte de jeito nenhum, mesmo eu tendo a maldita sensação de caso encerrado e de que nunca mais vou esbarrar com em de para etc. você de novo.
Peguei você emprestado. Já me tomaram você de volta; assim, sujeito indeterminado, porque filho feio não tem pai. E quem acha bonito se sentir desfalcado? O empréstimo já venceu, perdi meu prazo, você já foi.
E mesmo a consignação já tendo encerrado e meu nome sequer fazer mais parte dos registros e das planilhas de Excel, não sei quando vou conseguir devolver você de verdade.

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