25.9.17

Desgraça pouca é bobagem

O 7×1 começou quando estava eu em uma festa de família, ambiente crima ameno no play do prédio residencial, quando começa a tocar nada menas que “I was made for lovin’ you”.
Achei que estava confundindo a música nada a ver com o ambiente. “Cara… isso é Kiss??”, “É, sim, o Lucas gosta”, me disse minha amiga que estava comemorando o aniversário junto com a mulher dele. Ok, vida que segue. Lucas e um amigo resolveram fazer um showzinho durante a festa, preciso nem falar que fui brindada com novas músicas do Kiss, outrora uma das minhas bandas preferidas, agora me lembrava Ele.

“A gente devia sair hoje”, Ariel comentou comigo. “Bora dar pinta na Acústica”, falei de sacanagem, mas realmente tinha um evento legal lá e, meio querendo meio não querendo, fomos. O evento foi muito bom, bem gay, do jeito que a gente gosta, e conheci um cara que, bem, me fez querer saber o nome, Roque Glamde.
Estávamos muito doidões, mas conseguimos trocar os contatos certos, e combinamos de ir no Hades no dia seguinte, um show de várias bandas do cenário heavy metal nacional. Há exatos 12 anos, eu virara baixista por causa do Felipe Andreoli, e o Angra tocaria precisamente no domingo, somado a isso, eu não queria ir a eventos em que Ele estivesse, e descobri que iria no sábado, então tava liberado o domingão para curtir Roque Glamde e os shows, tudo dentro dos conformes.
Já cheguei e cravei aquela foto da face no face, bem carentona, ostentando minha maquiagem glam virjona. Mas o 7×1, ah, o 7×1… esse é mais certo que a morte. Tive um estabaco monstruoso digno de vídeo cassetada, e o negócio foi tão feio que tive que ir para o posto médico que havia no evento. Me colocaram no soro, limparam os severos machucados, por sorte o médico era atencioso e gente boa, e ficamos conversando.
Lá pra uma hora depois e o soro ainda não estava nem na metade, o médico me crava: “Você veio nos dois dias?”, “Oi?”, não entendi. “É, o ingresso dava direito a dois dias”. “ANÃO”, pensei, meu cu trancou no ato antevendo a desdita. No ato entrei no face do Ele e vi o óbvio,  parecia até sacanagem.
Ele não só estava no evento como havia postado uma foto no mesmo espírito da minha; segundo o face, na mesma hora, inclusive. “Posso tirar o soro?”, falei no ato para o médico. “Ih, viu ex-namorado, né?”, “Antes fosse”, pensei. Mas disfarcei e disse que estava bem. Não, eu não estava. Mas além da certeza no coração de que Ele tinha presenciado meu estabaco homérico e ridículo, tudo de que eu não precisava era ainda encontrar com Ele, toda ensanguentada, suada, descabelada, maquiagem borrada etc. etc. Peguei uma gaze para tirar o resto da maquiagem do rosto e fui embora, não sem antes ouvir do médico: “Tem ex nessa história, sim, nem quer que ele te veja borrada”.
Pelo menos fiz o gol de honra, consegui ir embora sem ver Ele. Vazio do jeito que estava, quase um milagre. Vitória! Como Roque Glamde é de Brasília e estava para ir embora do Hell de Janeiro, combinamos de nos ver na segunda para consumar o ato. Desde que Ele me dera um pé na bunda, eu não tinha conseguido mais ficar com ninguém, tentei severas vezes sem sucesso algum e eu estava gostando do tempo com Roque Glamde, ele ser de outro estado só tornava as coisas melhores na minha rotina insana.
Nem acreditei que consegui consumar o ato depois de severos meses, até comentei isso com Roque Glamde, que depois daquela derrota Roque Glamde tinha sido a primeira vítima. Ficamos ali na paz do Senhor conversando amenidades quando de repente, não mais que de repente, do (meu) riso fez-se o pranto. “Você conhece a banda Camel Toe? É carioca”. Nova trancada no meu cu ao ouvir tais palavras proferidas por Roque Glamde.
Camel Toe era apenas a banda do Ele, que fundara com um amigo e da qual era nada menos que compositor e vocal. Caralho, o filho da puta vem de Brasília e conhece isso??? Eu nunca tinha ouvido falar dessa porra dessa banda antes de conhecer Ele, meu Deus!!! Como pode?
Eu queria saber qual seria o complemento, e para deixar Roque Glamde falar livremente, eu disse que não conhecia a Camel Toe. “O vocal tava lá ontem no Hades, fui falar com ele”, ele continuou falando. Anão, anão, anão. Deus me livre acreditar que aquilo estava acontecendo, mas estava. Ele prosseguiu: “Falei para ele que sou fã da banda desde o colégio, curto os clipes e…”, “Ok, já chega, eu conheço a banda”, cortei.
Não pude continuar, não queria mais ouvir aquilo. Mais tarde, contando para Credis, ela disse que não sabia o que era mais inacreditável, a Camel Toe ter um fã (e ainda por cima de outro estado!!!!!) ou eu pegá-lo. Exatamente, Credis, nada define melhor minha vida. Não deu pra mim, apenas dei uma desculpa qualquer e me retirei do recinto. Quando finalmente acho que tô superando a paixão maldita por Ele, descubro que tô pegando um fã, essa é minha vida, esse é meu clube…

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