25.9.17

O desconhecido

Pra mim era um dia normal, eu estava saindo do trabalho um pouco mais tarde e não veria Severo, de novo.
Fazia quase uma semana que eu não o via, parecia que ele estava me evitando e isso estava me deixando nervoso e inseguro. Passei a mão no anel de Dominação que usava, ele me dera em uma cerimônia bastante calcada nos rituais litúrgicos e eu pensava que aquilo tinha algum valor. Tinha que ter.
Ele estava há tanto tempo no meio. Era meu Dono e toda essa ausência tinha que ter alguma explicação. Não havia acontecido nada de especial naquele dia, mas eu estava especialmente tenso, minha garganta seca, talvez eu antecipasse o que estava por vir.
Caía uma chuva bem rala, mas mesmo assim abri um guarda-chuva. A rua estava deserta e eu comecei a ouvir passos. Tive medo e não quis olhar para trás. Olhei o celular, estava sem sinal e os passos se aproximando. Vertiginosamente. Ventava e eu comecei a pensar que o guarda-chuva frágil talvez não fosse boa opção. Eu senti a pessoa se aproximar.
Era um homem, ele segurou minha garganta com força e eu senti meu corpo inteiro arrepiar. Ele era da altura de Severo e me virei buscando seus olhos, mas não os encontrei. Ele estava encapuzado e descobrir que seu cheiro era totalmente desconhecido me fez vacilar. Eu sentia minha garganta se fechando e o ar entrava pesado.
Tropecei nas minhas pernas, mas ele me sustentou, ele me arrastou por mais de uma quadra, e me jogou em cima do capô de um carro. Eu me choquei contra ele e caí no chão. Eu estava em pânico, não sabia nem por onde começar a reagir. Eu conseguiria reagir? Tinha lama no meu rosto.
Ele vestia um casaco longo escuro e puxou cordas dele, com as quais amarrou minhas mãos, depois de me jogar contra um poste de luz e me virar de costas para ele. Severo?, arrisquei. Eu queria acreditar que era ele. Mas quando ele puxou o capuz e seu olhar penetrante finalmente cruzou o meu, vi que estava enganado. Isso me fez calar e irrompi em lágrimas, soluçando.
Ele começou a rasgar toda minha roupa. Estava frio. Estávamos na rua. A chuva tinha aumentado e sentir os pingos me causava dor, ou era o estado em que meu corpo se encontrava. Ele tapou minha boca por trás e mandou que eu parasse de chorar. Sua voz. Definitivamente, não era Severo.
Eu não conseguia me conter, então tentei lutar, mas estava amarrado e não tinha forças, meu corpo convulsionava e, quando dei por mim, o homem já estava me penetrando com força. Eu sentia o meu reto se rasgando inteiro. Eu mal podia dar conta do que estava sentindo, parecia que eu não juntava os pensamentos, quando ouvi uma risada familiar.
Severo.
Não sei em que momento ele chegou, não consegui notar. Ele estava assistindo e parecia se divertir com aquilo. Fez um sinal para mim, indicando a coleira, como ele sempre fazia pra dizer que eu pertencia a ele. Perceber o olhar dele fixo no meu me fez explodir em um orgasmo intenso nas mãos daquele desconhecido e não pude conter o choro que veio junto, ainda mais forte do que antes.
Até hoje não sei quem foi o homem que fez o rape play, Severo nunca me contou. Depois disso tivemos outras experiências, ele mesmo realizou um seguido de sequestro comigo mais tarde, mas nada se comparou a esse dia.

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