25.9.17

O Lucky Strike azul

Do alto do décimo andar, eu fumava. Fumava um Lucky Strike azul. Comprei um maço igual ao que ele deixara na minha casa, junto com o isqueiro.
Caralho, eu não fumava desde 2011!!!
Não, era mentira.
Porque eu havia fumado naquele sábado, 11/6, nós dois discutindo no play do meu prédio entre beijos sufocados e “estamos terminados aqui depois disso”. E era agosto. 11 de agosto. Exatos 2 meses depois, na minha janela, eu fumava.

Ironicamente, 11, meses antes, também foi o dia que nos conhecemos.
11, alguns anos antes, também foi o dia que. Aquele dia em que ele.
O quão simbólico para mim era fumar? Isso esteve presente em esparsos momentos da minha vida. Não só pelo relaxamento imediato da nicotina, mas pelo ato em si. Fumar para mim é como dizem que é o corte de cabelo para algumas mulheres. Aquele tipo de rito. Ainda mais o cigarro dele, que ele deixou da última vez. A emblemática última vez em que transamos ali mesmo, naquela janela, enquanto ele fumava um Lucky Strike azul.

A cena mais sexy que já vi em toda minha vida, aquela imagem não parou de ecoar na minha mente. O cigarro na boca, a expressão se mesclando entre um tesão aliviado e certa dose de crueldade, tão própria de seus momentos de volúpia. E quantas entrelinhas por ali passavam. Pelo detalhe do jeito dele virar a cabeça para o lado para soprar a fumaça. Pelo jeito de segurar o cigarro. Ou de deixá-lo na boca enquanto me puxava para mais perto. Aquelas entrelinhas em que se entrevia quem éramos, nossos como, nossos quando. Elas deixavam tudo absurdamente mais sexy.

Tudo nele me entorpecia.

Sua boca me deixando também metaforicamente nua, a perfeita alegoria de como ele me tomava os sentidos.
As mãos grandes, o jeito de andar, as costas desenhadas, a voz com um fundo meio fanho, tudo se dissolvia na fumaça do Lucky Strike azul que agora saía da minha boca. Também ela se dissolvia no ar.

Do alto do décimo andar, eu fumava. Fumar era a minha maneira de continuar me drogando dele.

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