25.9.17

Você deixa?

Eu escrevi muitas coisas para você. Muitas sobre você. Muitas sobre outras pessoas, mas que eram você, ou nas quais você estava presente. Você duvidou quando viu, ou as entrelinhas eram “explícitas” e óbvias demais?
Eu te mandei algumas coisas, publicadas ou não. Mas tem muito aqui guardado, salpicado nos meus arquivos do bloco de notas na área de trabalho. Arremedos de livros e contos, eróticos ou não. Crônicas, sonetos e alguns pensamentos esparsos. Coisas em que tento colocar humor, falhando na maioria das vezes.
Eu publiquei muitas coisas que eu queria te falar “but I don’t know how”. Por que é muita “coincidência” ou só meu desejo que seja você o wordpress indicando visualização do DF?

Não sei. Mas eu sempre sinto que você me lê. Sim, deixa a ambiguidade acontecer. Você me leu quando nos conhecemos, quando rolamos no chão daquele show, ou nas ilegalidades no aeroporto. Mas você não precisa estar perto para me ler.
Eu também leio você, mas prefiro não fazê-lo. É um misto de desagrado e das suas reservas, sabe? Mas é claro que você sabe. Eu queria que você me deixasse entrar. Porque nós dois sabemos que, mesmo sem você deixar, eu entrei, não foi? Você foi “escorregadio” desde o início. Escorregadio assim, feito peixes. Feito cardume que são muitos mas também é um só. Feito mar que é “onda que já foi”, ressaca e maresia, mas é calmaria e paz, também.
Eu não tentei te conquistar, mesmo tendo falado que “se você morasse perto eu tentaria de verdade”. Você me disse que isso era tênue. Não, eu não tentei. Acho que no fundo você também sabe. Eu fiz o oposto, e isso faz parte de mim. Eu sinto como se você soubesse. Como se tudo sobre mim fosse meio óbvio para você. “Quando você conhece as pessoas, não há muitas opções.” É meio por aí. Mas, como?
“Mistério” ou ausência de coincidências?
Sabe qual é o problema?
O problema não é eu querer sua esporrada na minha garganta ou sentir cada parte de você latejando no contato com a minha pele. O problema não é sua boca me tirar o sono, eu sentir falta das suas referências, da nossa identidade ou do seu jeito “zoeiro viado”. O problema é eu querer a sua dor de cabeça e ficar desesperada sem poder te dar corticoide. O problema é eu querer saber se é dipirona ou paracetamol, ou nenhum dos dois. Se você também era nerd, introspectivo e dedicado quando criança, ou se já deixava o “lado B” aflorar, a fuga tão óbvia para evitar que as pessoas te conheçam. Esses muros são tão seguros, não são? Também aprendi a erguê-los.
O problema é eu querer colocar o dedo na sua garganta depois de uma noite de bebedeira e loucuras, mas também me desesperar com um termômetro marcando mais do que deve. O problema não são as noites insones pensando em id, ego e o caralho a quatro (ou algum trocadilho sexual muito ruim que eu faria com essa expressão). O problema é eu querer cuidar de você. Ter a paz por você ser meu, e também ficar puta por saber que nunca vai ser. Porque esse é o certo. Nós só temos que ser de nós mesmos.
Ou não, nada disso. Porque isso não é o ou um problema. É solução. E o mais louco é pensar que você compartilha e concorda com cada palavra.
Me pego pensando, tão inevitável, se nós dois realmente nunca seremos um “nós”. Ou se, apesar do que quer que seja, nós o seremos para sempre. Irremediável e impossivelmente nós.
Eu estava aqui ouvindo When everything’s made to be broken, I just want you to know who I am, e daí saiu esse texto. Porque é apenas isso mesmo. E vice-versa. Você deixa?

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