31.1.18

Escondidinho mineiro

Ingredientes:

- Uma porção de cabelos bagunçados
- 200g de indicação de músicas que sempre melhoram meu humor
- Meia xícara de áudios terminados com "Uai, sô"
- 1,87m de sensibilidade pra escrever o cotidiano
- 3 conchas bem cheias de reclamações do meu feedback lacônico sobre textos
- Um punhado de conversas variadas, das lágrimas olhando pela janela do ônibus às gargalhadas atravessando a rua
- Letras e números a gosto

Modo de preparo:

30.1.18

Seríamos? Seremos?

Às vezes me pego pensando em como seríamos nós.

Se você ia pegar o violão de madrugada pra gente compor uma música digna de Johnny Cash, que nos faria milionários se no dia seguinte não fôssemos esquecer de cada linha e acorde.

Se eu ia pegar seu cigarro e suas camisas pra fazer fotos e te mandar enquanto você trabalha pra te deixar meio sem graça, meio com um sorriso bobo, meio sem juízo.

Se eu bancaria sair dessa cidade das mil cores pra encarar um céu cinza, só porque você ia colorir todas as minhas esquinas.

Se você encararia ouvir s com som de x e outras coisas que incomodam quem vive a principal rixa entre estados desse país só por saber que meu cheiro ia encher sua casa.

Será que a gente ia combinar de ir pra programas de namoro de auditório fingindo que não se conhece? A gente ia ser filho da puta pra caralho, não ia?

O simétrico e o improvável - parte 1

As combinações improváveis são as mais traiçoeiras, e foi em uma delas que me vi enredado em você.

Tocava uma versão malfeita de Journey e você me ofereceu o pacote de biscoito que estava no parapeito da janela quando percebi.

Não foi nada disso. Talvez o baseado que você não sabia enrolar ou as botas no volante do meu carro na primeira vez.

Não saberia precisar o momento, se é que houve um isolado. Mas foi ali que me dei conta. Você gargalhando com as bochechas vermelhas limpando o farelo da boca quando falei que você ia foder minha cabeça. Mas quando a gente percebe o risco, é porque já não tem mais volta. Você não acreditou.

29.1.18

Vendaval

As folhas das árvores batendo nos vidros da janela me levaram a fechá-la. No quarto, o assobio leve me protegia de uma realidade de areia no rosto e amêndoas sendo derrubadas com força dos galhos. Nada mais estaria como antes.

Eu tinha reescrito aquela mensagem para ela no celular, mas pegar no sono me permitiu adiar a decisão de enviar ou não.

Eu tinha escrito muitas coisas para ela. A maioria em tom acusatório, e ninguém que pleiteia vaga pode se aproximar em tom acusatório. Então me deixei naquele limbo entre a conformação e as muitas coisas que ficam para ser ditas. Será que ela também se via encurralada por esses dilemas?

Inúmeras vezes o trecho daquele livro me voltava.

26.1.18

Quando eu digo que deixei de te mamar

Estava no ensaio quando vi sua mensagem: "Alô, tô ligando pra saber como você está! Cansei de sentar bem nas benga' carioca, tô indo dar uma sentada daquela nervosa na sua." Neguei que sou louco por ela, tava maluco pra ver, mas meu pau me denunciou. Chegou a dar um soluço na hora, até deixei a sanfona cair no pote de gel do vocal, que ele deixava sempre à mão pra ficar retocando o topete.

Como a gente vive entre tapas e beijos, não botei muita fé de que ela aparataria. Na semana anterior disse que vinha e não vinha mais vezes do que as idas e vindas que eu lustrava meu mastro pensando nela, chorando por ela, ligando pra ela.

Na hora do voo, eu já todo embecado de suspensório, lencinho vermelho no pescoço e só isso, porque gosto de chegar causando, ela me manda um áudio entre uma nuvem de lágrimas dizendo que perdeu o voo porque se atrasou acariciando o pôster com minha foto no seu quarto.

Escrevi um verso triste de paixão no meu diário, pensando que eu devia era ter deixado uma cicatriz na fuça daquela ingrata, e fui dormir na praça pra esquecer a mágoa de boiadeiro. Mal caí em sono profundo, minha especialidade, recebo novo áudio: "Consegui embarcar, tô no avião, tô indo!"

"Caralho, libriana é foda!", pensei comigo, "até o avião que pega é indeciso". Dava nem pra tirar o soninho de beleza.

Resenha do filme "Aquarius"

Contém spoiler.


25.1.18

Desculpa, mas você se fudeu

Confiança é um negócio difícil demais; para pessoas fodidas como eu, mais ainda. Apesar disso e do pouco tempo, nós dois estávamos começando a construir um laço, eu sei, não precisa vir me mandar mensagem falando o óbvio. Eu conheci algumas fraquezas suas, você conheceu minha casa, o que se você pensar bem dá no mesmo.

E eu deixei a porta aberta pra você, coisa que não faço. Eu me mostrei, coisa que faço ainda menos. Tivemos uns tropeços logo de cara, e passamos por cima com louvor, fiquei orgulhosa em pensar que aquele feto de relação que tínhamos estava amadurecendo; mesmo que fosse pra virar uma amizade depois, se parássemos de ficar, mas já vi que nem pra isso você serve.

Não era “só” porque não era nada sério que não precisava ter consideração, cuidado e respeito, não tente argumentar comigo. Essas coisas são o mínimo até quando se cumprimenta um desconhecido na rua.

24.1.18

Manda aquela carta agora

Já dizia a música: "A gente quando não se assume, fica chorando sem carinho" e, embora ela fale de relacionamentos, vale para várias esferas da vida.

Às vezes, tudo no que você sempre acreditou foi bagunçado e agora você já não sabe nem mesmo quem é. Se sente apátrido e fragmentado, sem se encontrar em lugar algum que lhe dê abrigo. Sem sequer saber exatamente onde tudo isso começou.

Às vezes, se sente preso. Amordaçado. Sua voz parece não sair. Seus braços, acorrentados.

Tudo passa, é a inevitabilidade da vida, e até isso passa, embora agora possa doer como areia movediça dentro de você. Quanto às dores, você não tem muita escolha, eu sei. Mas sobre uma coisa você tem: agir, passar por cima... ou deixar a vida arrastar você.

Porque é isso que a vida faz, sem a mínima compaixão: ela rala sua cara na areia como aquela onda que quebra mais forte do que o esperado.

Lutar contra a correnteza não dá, mas você ainda escolhe se mergulha ou não. E, às vezes, mergulhar o mais fundo possível é sua única forma de escapar. Sua paralisia não te protege, pelo contrário, é ela que te deixa à mercê das intempéries.

A vida também passa. Não, ela corre. E ela não vai esperar você. O tempo é implacável e, como areia no vendaval, facilmente te escapa.

E o que você vai fazer?

23.1.18

Sua casa, nós dois

Cheguei despretensiosamente na sua casa. Me acolheria durante os dias em que eu ficasse por aqui trabalhando, nessa cidade que já foi muito minha, e que há alguns anos se tornou sua.

Nós dois a trabalho em nossas respectivas terras natais, o que me trouxe, te tirou daqui, então; mas essas paredes guardam muitas das suas histórias. E algumas delas foram contadas em um palco em que já fui protagonista.

Sua casa, inevitavelmente, me trouxe aquele nós que há muito estava adormecido. Aquele nós de sexo entorpecido em banheiros de shoppings e em coxias de espetáculos. Aquele nós de muitas mãos tirando nossas roupas. Pra ser específica, eu tirando meu vestido que você estava usando. E pedindo pra você continuar de peruca e maquiagem feminina.

Aquele nós de você falando "agora vou lá vestido de homem pra botar moral" e me fazer rir. Aquele nós de poemas trocados no ônibus e no banheiro de um teatro qualquer. Aquele nós de música e dança.

Aquele nós dos nossos bastidores, que ficou, sabe? Aquele nós que nunca chegou a ser de fato um nós, que se soltou muito antes de formar qualquer laço. Mas tem coisas pontuais que ficam bem mais e você é uma delas.

22.1.18

Destino é foda

Destino ninguém muda.

Sempre foi uma frase que mexeu comigo. Me dava asco, era isso. Porque eu sempre preferi a ilusão do controle. Mas eu sabia que ali havia um fundo de verdade. Isso misturado à máxima de estar na hora certa, no lugar certo. E minha história com Francisca retrata isso com uma precisão tão literal que me faz ter arrepios ao ouvir aquela bendita palavra.

Destino.

Era aniversário de um colega de trabalho e ele queria comemorar em uma boate de suingue, precisamente a que eu frequentara meses a fio em função do mestrado.

Não, não era só o mestrado. Mas eu não pensava em voltar lá nem tão cedo por diversos motivos. De qualquer forma, não seria o chato estraga prazeres mal tendo entrado na equipe. Chamei o amigo mais afeito ao trash e fomos. O Fulano resolveu que só comemoraria no dia seguinte, que era o dia do aniversário, mas eu já estava pelejando na barca. Assim que cheguei, um dos meus motivos de escusa já me recepcionou com um beijo ávido.

– Oi, Luíza.
– Sumido! Saudade de você. – Me deu a piscadinha clássica que traduzia tudo, tentando se empoleirar no meu pescoço.

Me desvencilhei e fui esperar Antônio em um bar nas proximidades. Eu precisava ligar para Eunice, minha cartomante, e relatar o que tinha acontecido na sexta, quando encontrei Alexandra, uma ex que me perturbava catastroficamente, mas o celular, sempre me deixando na mão, arriou a bateria.

Consegui carregar à base de gambiarra e fiz a consulta sentimental. Sim, eu “tenho” uma cartomante, fazendo jus às minhas raízes de subúrbio. Eunice fora proprietária de terreiro, ou, no popular, era mãe de santo, e costumava me aconselhar quando a situação era desesperadora. Eu sempre falo que quando cai o avião ninguém é ateu ou hétero, mas a verdade é que Nietzsche tinha razão.

Não existe ceticismo perante o amor. E a prova disso me surgiria dali a algumas horas.

21.1.18

Não vem com homeopatia, quero você na minha veia

Não quero homeopatia, pedaços de você aqui e ali. Tudo arrumadinho e organizado. Eu quero você inteiro. Seus sorrisos e sua enxaqueca, o porre do dia seguinte. Eu quero você do avesso.

Não quero você barbeado, todos os botões certos. Quero sua calça no chão do meu quarto, nossos pelos e reservas espalhados, misturados.

Vem do jeito que for, vem de mau humor mesmo, que eu digo aquelas besteiras que só eu sei pra te fazer rir. Vem só pra chorar no meu ombro, vem só pra reclamar do seu dia chato. Vem que eu faço aquele chocolate quente pra gente rir do quanto sou ruim na cozinha e começar a se agarrar na mesa mesmo.

Vem me dar aquela boa notícia que você tá esperando há tempos, deixa eu ser a primeira a saber. Vem feliz pra caralho, vem irritado, que eu quero tudo de você comigo.

19.1.18

Don't get too close, it's dark inside

A fábula dos extremos constrói a calha
Da obediência à superfície dos juízos
Engrossando o caldo em que na mesma calçada
Andam Bach e Nego do Borel de mãos dadas

A água e o vitral são elementos sábios
Vítreos, enquanto uma distorce, o outro talha
Identidade e razão, à prova de falhas,
Jazem em mesas-redondas de universidades

O pulso que ama em crimes se desvanece
E o cimento que te abriga da tempestade
Aguarda mudo a inscrição dos epitáfios

A estricnina te estampa leve um sorriso
E o ar, premissa vital, também te adoece
É que, de perto, tudo é mais do que parece

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Métrica alexandrina

18.1.18

Fode com força... minha mente

Não dá pra chegar assim, pedindo nudes, mostrando a performance toda técnica, os bíceps. Você tem que entender que sexo é mental, e se você quer me comer, antes precisa fazer com que eu queira lamber sua mente e não seu abdômen rachado, seu cabelo bem cortado, suas tatuagens estratégicas.

Guarda seus títulos, prêmios e curtidas no Instagram. Seus músculos e seus pôsteres autografados. Seus bons contatos e sua dieta impecável.

Eu gosto é da assimetria, do jeito que fala meu nome, daquela pochete de chope, de não prender o choro inesperado, das fragilidades escondidas. Vem com esse cabelo bagunçado mesmo, que você nem penteou hoje, que você me leva fácil.

Traz seus 1,87m e me joga nas suas linhas, rasga minhas reservas, arranca o que inspira minhas metáforas, me deixa encharcada com seus segredos, mastiga minhas convicções, morde meus escrúpulos.

16.1.18

Amor não tem explicação, caralho!

Não venha jogar pra mim as dúvidas que são suas. Os empecilhos que você cria dia após dia. As justificativas que você arruma pra se eximir da responsabilidade.

Não me venha com seus “Por que logo eu? Por que desse jeito? Nem nos conhecemos, como vamos saber se é ou não é?”, quando conhecer e ter identidade com alguém são coisas que já começam relativas por si só, e nem sempre o tempo se encarrega de fazer o trabalho.

Sabe por que esperar não vai nos dar uma resposta? Porque a verdade é que a gente só sabe se é ou se não é se arriscar e viver. Não tem como saber previamente, por causa de características que a pessoa tem ou do que quer que seja. Estamos falando de seres humanos e não de enciclopédias. De incertezas da vida e não de logaritmo.

Isso tudo é só uma desculpa pra falta de coragem.

Porque se a pessoa mexe com você e te tira do lugar você fica vulnerável. Tudo em você logo grita que não vai dar certo, vem na forma de intuição, indício ou chame como quiser. Vem na forma de se apegar até naquela unha encravada pra justificar que é melhor fugir mesmo, “é claro que não vai dar certo, olha esse signo inconstante, olha esse texto que ela postou, não sei se é o momento”.

Eu falo de amor à vida; você, de medo da morte

Acendo um cigarro, o cheiro insuportável da fumaça preenche a sala, se misturando à chuva anunciada. O Neil Young que toca na vitrola me traz a paz dos fantasmas já reencarnados e libertos.

A música em tom maior vem me mostrar que todas as cartas estão na mesa. Há sempre a opção de desistir do jogo. Mas as apostas não são assim tão voluntárias, e toda consciência é desenhada pela ilusão.

Andei ocupado vacilando por lugares desconhecidos, que, calados, se recusaram a me dar respostas. Agora respiro as paredes do cotidiano. Os ventos que me abrigam são os mestres da santa ordem.

Tudo em seu lugar são as portas do caos total, e eu rio. Persigo sombras, ainda, incerto se assim permanecerei. Sou fronteiras, sou ilhas, sou imprecisas oscilações. Sou tudo o que não se estabiliza. O corte categórico que me julga também me estapeia, dizendo o quanto há razão em sermos estranhos.

Lúcido das limitações do agora, do quanto estar no olho do furacão turva os horizontes. E me resta a risada. Me restam a música, a fumaça, o pensamento. Todos são sólidos em seus parcos momentos, e então se dissipam, como se nunca tivessem existido.

Comigo, tenho somente minha aposta solitária e cega. Porque a verdade é que você só sabe se foi azar ou sorte... depois que já não faz a menor diferença, e passa.

6.1.18

Aquele que eu nunca escrevi

Nós dois somos pessoas de ação. Damos corda pra viver, como você diz. No entanto, não agimos. Você calou, eu supus. Você me forjou em outras mulheres, eu te guardei em estatística.

Você fez planos dos quais fugi. Eu fiz planos dos quais você nunca soube. Muros e paredes com nossos pseudônimos pela cidade e na nossa sala. Você teve inexplicáveis convicções, eu duvidei das minhas.

Você questiona minhas incertezas, dizendo que tudo que escreve sou eu, e que isso deveria bastar. Eu me leio, me encontro, me reinvento nas suas linhas, mas não mergulho por não mensurar ao certo a profundidade da água turva que vejo.

Você me acusa de não te escrever, mas não percebe o quanto tudo sempre, de algum jeito, perpassa você.

Eu não te escrevo diretamente, você tem razão. Mas em cada um deles, é sempre alguma sombra perdida ou encontrada de você o que move minha caneta.

4.1.18

Como de lado, como de quatro

Eu como várias mulheres todos os dias.

Tímidas, despudoradas, sedentas pelo meu pau, de metidas enviesadas, de sentadas profissionais, de chupadas sem jeito, de boquetes homéricos, de tudo muito no mais ou menos. De tudo e de nada. E dos meio-termos.

Como de ladinho, como de quatro, como papai-e-mamãe, como com força, como devagar. Como sem reservas, como com pudores, como puxando a calcinha pro lado, toda vestida na rapidinha. Como fingindo que não vi a calcinha bege que ela tira com vergonha, como de pau improvavelmente duro pra calcinha de bichinho de algodão, como a que vestiu minha cueca, como com cheiro de clichê a toda impecável de espartilho. Como a que levou um chicote, a que domina a porra toda. Como a que pega meu pau com pouca intimidade.

Como a que fazia aula comigo, como a da academia, como a da balada, como a do Tinder, como a prima que não via há anos, como a que não se prende a nenhum desses lugares.

Como ouvindo Marcus Miller. Como ouvindo Led Zeppelin. Como ouvindo Mc Livinho. Eventualmente como ouvindo Raça Negra. Até ouvindo Odair José, eu como.

Que desperdício você, que desperdício nós dois

Sabe aquela pessoa que tira seus pés do chão e essas coisas todas que a gente acha que só existem na ficção? Que te tira o ar e que te faz respirar em paz, também? Que te faz pegar fogo de tesão, que te nina bem uma noite de sono, que é companhia boa pra conversa filosófica e pras besteiras das madrugadas regadas a bocas anônimas e toda sorte de entorpecentes?

Eu sei muito bem que sou eu.

Você sabe muito bem que é você. Sabemos muito, muito bem mesmo, o quanto somos nós dois. Não é pretensão minha justificada por arrimos astrológicos. Não consultei um cartomante, psicólogo, cigano. Tem coisas que a gente simplesmente sabe. Mas é aquilo, quando um não quer dois não brigam. Muito menos amam.

Se não queimássemos um pelo outro, eu entenderia. Se fosse uma ilusão só minha, também. E eu tenho que aceitar e a vida segue, é assim que funciona. Mas não consigo me conformar.

1.1.18

Me assina

O latim deu alma rubra à rubrica
Para apartar da sorte seu paredro
E sangrar o instante de toda fugaz sina
Porque também o destino é vicissitude
Que se dissolve como o rubro que tão transitoriamente
Me marca

Cruel fatalidade na tinta do meu corpo embarca
Te expondo minha nudez em plenitude
Dos meus lugares não visitados
Das minhas esquinas de vazios acobertados
Dos tão impermanentes cruzamentos
E das pensões de uma noite, em que nunca permiti estacionamento
Me rubrica

Assina minha nudez como sua
De todas as estradas que chamo de minhas
Tinge crua a ventura
E me trafega sem placas, multas, limites impostos sobre velocidade e trajetos
Me trafega na contramão
Me trafega nos mudos desafetos
Me trafega mesmo em estradas vizinhas
Me escreve