22.11.18

Sobre força e vida

Eu amo essa foto. Nossas sombras no seu peito e nossas testas franzidas contando uma história tão nossa.

É claro que eu não ia repetir um texto para você; pai de santo que sou, respondo aos seus pensamentos enquanto lê isso. Não tem necessidade. Acho que nunca vamos parar de ser fonte mútua de inspiração. Como você mesmo fala, quando estamos juntos é só fotão. É claro, porque nossa arte registra quem somos. E fica ali nos chamando, nos mostrando que não podemos nos esquecer do que está dentro de nós.

Júpiter hoje comemora que alguém como você abra Sagitário, tão bem representado. Centauro, como você. Metade, sutil sensibilidade humana; metade, força crua animal. Precisão e audácia de arqueiro, e garra e determinação de caçador. Alado, porque você precisa voar, mas com a cauda da maldade do sátiro, porque não dá para voar sem antes termos conhecido os nossos demônios. Porque tudo na vida tem que ter sal. Sal, que atiça o fogo, que te rege. Fogo, que com muita facilidade foge do controle.

Mas o poder destruidor do fogo (se traduzindo muito bem no seu caso nas mil mulheres apaixonadas querendo morrer e matar por você - e antes fosse metáfora), que muitas vezes passa rápido e sem aviso, deixando cinzas e ruínas irreversíveis pelo caminho, também é potência criadora, força motriz.

18.11.18

Ele era Escorpião

Ele? Ele era Escorpião, é óbvio.

E que atire a primeira flechada o cupido que nunca se entorpeceu nas garras de um escorpiano, coisa que duvido.

Quem nunca se apaixonou por um escorpiano - e, de preferência, com uma dose de platonismo, com uma dose de amor não correspondido -, me desculpe, mas não viveu.

Só conheceu os extremos sem escalas, dos golpes de dopamina ao lodo pegajoso do fundo do poço, quem se viu enredado pelos filhos de Hades.

Escorpião, o dono do submundo, o dono da morte, se você pensar bem, é inevitavelmente o senhor da vida. E de todas as outras coisas, Zeus que não me ouça.

Brincar nessas searas tão ambíguas te deixa mesmo nas fronteiras em que os extremos se chocam. E se confundem.

E ele era Escorpião do primeiro decanato, então pode jogar todos os clichês em cima, da rendição da posse ao cativeiro do sexo.

17.11.18

Você de álcool, você de vírgulas

Durante muito tempo, você me deixou completamente perturbada.

Aquelas gafes que nos fazem corar as bochechas, e aquele nervoso típico que acaba atraindo um mar inevitável de outras gafes.

Eu derrubei coisas no chão (eu derrubei você no chão!), perdi uma coisa que tava na minha mão, já me senti ridícula em um show. Fora as inúmeras vezes, em inúmeros sentidos, que tropecei.

Só porque te vi, e isso basta pra me desestabilizar por completo.

E por acontecer bem na sua frente, era o fim do mundo, sim. Eu queria te impressionar, e a gente se cobra não ter falhas.

Depois vieram outras coisas, que igualmente me perturbavam. Eram suas mãos no meu quadril, era seu sorriso torto, era seu jeito de olhar pro lado naquela mistura tão sua de estar sem graça e se achar o máximo.

E, é claro, as coisas menos tangíveis.

15.11.18

Sentimentos levianos

Você gostou do cabelo dela, ele gostou do jeito que você cruza as pernas. Eu precisava daquelas conversas sobre Augusto dos Anjos, ele queria alimentar as impossibilidades.

No fundo, são sempre simbioses esses nossos arremedos de relacionamentos.

Parecia que éramos almas gêmeas. Fumávamos o mesmo cigarro, afinal, e eu nunca tinha conhecido ninguém que... Bem, havia outras coisas, claro.

Mas a realidade tem aquela dose cruel de o buraco é mais embaixo, e de repente se ela não fosse fumante não me irritassem tanto aquelas manias.

A realidade não dá brecha pra magia, e toda minha devoção pelas suas mãos, as mais bonitas que já vi, acabam se perdendo nas nossas conversas entrecortadas, em outros abraços, em preocupações éticas e morais... tão falsas.

12.11.18

Você não me dá tempo pra te amar

Amor tem tempo, tem nuance, tem medida, sim.

E tudo isso é relativizado conforme quem o acolhe.

Você não ama da mesma forma que seu melhor amigo, ainda que ele divida sua dor naquele abraço tão necessário. Ainda que ele ria dos seus prints da madrugada.

Seu amor é desesperado, urgente, obrigatório.

Eu te amo porque passou a fazer parte de mim de alguma forma. E eu fervo em círculos antes de mostrar.

Eu analiso por labirintos enquanto você já pegou fogo e renasceu três vezes.

Às vezes eu preparo todo o terreno, como se amor fosse casa que precisa ser projetada.

Mas você já estendeu uma tenda e tá babando em lugares tão distantes e próprios... que desconheço. Sem me permitir acesso.

6.11.18

Alguém que se importe

A vida vai se encarregar de te fazer encontrar tudo de que você precisa.

Mas a vida também vai soprar folhas aleatórias em meio a esses vendavais.

O seu papel é saber separar o joio do trigo, a não se deixar levar por qualquer empolgação, ou seja o que for.

O seu papel é saber identificar alguém que se importe.

Porque relacionamento é troca, e não adianta ensinar as pessoas a se importarem, a terem interesse ou a se preocuparem com você. Não adianta exigir, não adianta forçar. Essas coisas acontecem ou não, e, pode ter certeza, quem quiser, vai se interessar.

Não existe compromisso, "crise existencial", o caralho a quatro. Nada impede. Quem se interessa por você, se interessa e ponto. Se importa, se preocupa, vai atrás.

Saiba mandar embora o quanto antes quem só faz peso morto.

Saiba reconhecer e conservar alguém que realmente olha pra você.

Alguém que queira conversar com você, e não que o negligencie pra encontrar química na primeira esquina com outra pessoa. E ainda dizer um "essas coisas acontecem, eu nem nunca mais falei com essa pessoa depois daquele dia".

3.11.18

laCUnas

Tal qual mosca de padaria faz a ronda
Você maltrata minha racha desvalida
Minha precoce exaustão evidencia
Que toda foda é um tanto piegas

Invade minhas matas sua anaconda
Que, para multidões, ergue-se destemida
Seu brado vem impiedoso e anuncia
A perda irretratável das minhas pregas