23.1.19

Casa

Às vezes eu agradeço. Não sei bem a quem ou a quê, céticos que somos.

Eu só agradeço.

Agradeço aquele péssimo dia no trabalho que fez a gente se aproximar. Aquele trabalho malfeito que caiu na nossa mão pra gente resolver e aquela conversa sobre trocar de apartamento.

E tudo o que veio depois. Os prints da madrugada e os áudios na hora do almoço. Os desabafos necessários e as risadas levianas, mais necessárias ainda.


Agradeço os percalços e as receitas trocadas. De tudo. E os comentários pernósticos sobre cream cracker com geleia de goiaba, que acabam em Kafka pegando a barca pra Niterói.

Todo o falso desprezo pela minha analgia e os abraços que mesmo a distância, hoje, mais ninguém no mundo além de você me daria.
Não saberia, não poderia. O chicote e o lar não são assim tão diferentes, afinal.

Agradeço todo o deboche, toda a implicância e toda a análise de complexidades na arte e na vida - o que talvez seja pleonasmo, mas, nesses ringues teóricos, briguemos depois. Tão necessários aos apegados da teoria, como eu.

Eu só agradeço.

Agradeço a birra inicial, opostos que somos. Mas a astrologia, essa desacreditada, me ensinou que os opostos, na verdade, são complementares.

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