13.5.19

Boto

Segunda-feira. Nos conhecemos como um golpe do destino fazendo valer aquela velha história de estar na hora certa no lugar certo.

Tinha que ser.

Apesar de todas as arestas [definitivamente, eu não me arrependo de nada].

12.5.19

Multidões

Teu cheiro ainda tava no meu colchão.

Tive que mandar incinerar.

Comprei outro, Ortobom, de mola, coisa fina.

Depois de algum tempo, o teu cheiro voltou a se infiltrar nele.

Tive que mandar incinerar.

8.5.19

Cilício

Sobre a pele silencia o que sob ela espeta
Chuta como irrelevante a urgente agonia
Inerente a toda sorrateira madrugada
Sempre obscura, traiçoeira e culpada

Impiedosa, a noite te puxa o tapete
Expõe teus restos de cartas rasgadas
Expõe pentelhos de sangue ainda enraizado
Um capricho do Diabo, nunca você mesmo

2.5.19

Arremate

Quando do camelo lépida lhe desvelei a pata
O esputo involuntário gotejou-lhe a parca beca
Mimetizando a Excalibur em inconcussa robustez 
O delíquio consumado da empapada perseguida

De mastodôntica, claudiquei temendo duplicata
Mal sabendo que claudicante era minha peca
Do ato que se diz foedere por me cavares a vez
Gemidos desmedidos. Fomos pegos de calça caída

1.5.19

Transversais

Eu quis nos tornar transversais, coplanares e interceptados,  mas você argumentou que não precisava disso tudo, porque as retas paralelas se tocam no infinito.

Todos os livros de matemática te aplaudiram e deram razão. Mas, no entanto, quem já chegou até lá?