26.8.19

Codinome Elizabeth

Hoje me veio o dia em que você conheceu minha casa.

Você sem jeito tocando Codinome beija-flor, sentado na beirada da cama; aquele nosso afã de primeira vez, seu cheiro doce impregnado nos lençóis, minha respiração aconchegada na sua nuca.

E então me veio em seguida nosso último encontro, cheio de tentativas desinteressadas de amizade, emoções cinza, músicas nossas de que tive que me desfazer.

Um tanto chocante constatar o tom premonitório no quanto a música faria sentido depois.

Delicatessens deslocadas tocando rock no meio de uma rua feia. Becos que se pretendem coloridos, artísticos, líricos. Tão insossos, óbvios, sujos. Avisos sugestivos no metrô lotado de indiferenças. E todo o desencontro entre sensações e palavras, e minha apropriação um tanto anacrônica de suas ideias e sentimentos. Pores do sol no lugar errado, na hora errada, impressões erradas. Tudo, tudo errado.

15.8.19

Tim-tim

Em algum lugar dessa cidade, você tá pensando em mim.

O limão mal batido no copo, o gelo que, mesmo no frio, derrete rápido demais. E as músicas de sempre. As que falam de desistências, falsas tentativas e amores sublimados. Um monte de acordes ladeados em vão.

A cadência da mão do músico é tediosa. Você gargalha entorpecida por qualquer insensatez. E se apropria do alheio e foge de novo.

Alguém furou o sinal, você deu um encontrão em um cara gostoso, essa fumaça que sopraram agora é de?

Nenhum excesso camufla a vil realidade. Não, não me venha cheia dos relativismos. Quando foi mesmo que você acreditou neles?