25.6.20

O caminho inumerável

Me pergunto se você se deitaria no meu peito me pedindo explicações sobre os segredos das estrelas.

Cheiro de grama, meia estação, as sutilezas que aprendi a apreciar sozinho e você rendendo sua soberba nos meus braços.

Eu encontraria eco em você? Eu seria eco das suas brechas incompreendidas?

Me pergunto se nessas noites que me recosto na extravagância de um vinho raro, sorvendo inquisições e mistérios, você se embolaria nos pelos das minhas pernas para eu te fazer minha no tapete da sala.

E em cada gole, décadas e milhas de projeções, constato que burlei a ordem do universo e as leis dos homens para fazer exatamente isso.

5.6.20

Me fode

Me olha
Desenhando nos meus mapas
Os seus caminhos
Me devora com olhos torpes
E sorvendo tua presa
Se deságua

Me sorri
Mas me sorri sedento
Me sorri sacana
E no meu gosto
Se embriaga
Tatuando na minha pele
Lábios, língua e dentes

Me toca
E nesse toque
Eriça também os teus pelos
Que nossa eletricidade
É trocada

Me aperta
Me mostra o jeito que você faz
Me segura, me prende como posse
Torna indiscerníveis
Unhas, dedos e mãos
E deixa tuas marcas