2.7.20

A(nta)gonia

Ele imperava as trevas. Mas não do tipo que se espera. Sob seu cetro, vertia a obscuridade em lei. Ela imperava dona dos desejos deliberados, que já rasgaram as máscaras.

Ele aprendeu a compor a realidade criando fórmulas, fazendo as vezes de alquimista. Ela, fazendo as vezes de moira, tinha aprendido a resgatar detalhes apodrecidos e lhes dar voo.

Ele ignorava, desprezava era o certo, a validade das alheias verdades. Ela era incapaz de conceber as noites limítrofes entre êxtase e desespero que o levaram até ali. Ele a rotulava: obtusa. Ela lhe apontava o dedo: tolo.