19.2.21

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Olhos, olhos de renúncia antes da largada
A visão literal, comprometida e borrada
Contando a percepção particular dos teus pousos e paradas

Sobrancelha; sim, singular, porque mais a direita
A sensação constante de espreita
E de escolhas que não se permitem refeitas

Lábios, as pazes e as rinhas
A pressão, o ritmo, as bainhas
Que, relutantes, se entregam nas covinhas

Sorriso, que me mastiga a mente
Que se insinua entre sacana e inocente
Desenhado sobre a perfeição dos dentes

Mãos, principalmente as mãos
Suas histórias que foram deixadas em outros chãos
E as que você reescreveu nos meus vãos

Punhos, travando nossa conexão
O ritmo preciso da articulação
E o pulso, que, tão desobediente, denuncia a reflexão

Ombros, claro, e o arrepio
Fechando o abraço necessário e arredio
E os teus silêncios, que oscilam entre muito carregar e perder o fio

Pele, ah, sua pele e a minha pouca sensatez
O alívio do reconhecimento no toque, da repetida vez
E o abandono da relutância, da negação, da timidez

Pau, pau e o encaixe preciso
A química impiedosa e o nosso desejo diviso
E, por fim, o abandono dos juízos

Peito, teu peito e - esse é meu - o flerte com o perigo
Aconchego involuntário de abrigo
E a cisão que os depois carregam de mãos dadas comigo

Costas, caralho!, tuas costas, talhadas, repartidas
Tentam, tão em vão, se retesar e esquivar das minhas investidas
E, como certeza premeditada e prometida, não me deixam, mas em mim marcam as incertas despedidas

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