2.2.21

Iris

Por ti, Elizabeth, eu seria o barro e a expansão, moldando nossos corpos, ascendência e descendência, essência... no toque.

E seria a maçã e o meteoro, a suposta destruição que é também origem de toda nova realidade. A negação da Escritura, a reescritura.

E eu seria a sinuosidade da sedução, o pretexto do convencimento, o vir a conhecer. O olhar do escrutínio refletido do mundo, a mordida da experimentação, a metáfora do saber e o desacordo com a sacra ordem. O desvio.

E, assim, eu seria então os trilhos. Os teus trilhos. Pra ser meio, pra ser caminho, pra ser continuidade. Pra ser direção, mas, principalmente, o que permite ir em frente, irrefreável pelo que quer que seja.

E haveria, então, as paradas, mas eu seguiria. Para você, repousada, seguir também. Comigo.

Por ti, minha querida, eu seria os séculos. Com suas necessidades de guerras, de confrontos, de disputa por quem se pode dizer mais poderoso, o gozo do ego. Mas também com seus estilos de época, que fazem florescer comportamento, pensamento, e fazem o homem igualmente desvanecer em suas falhas e regozijar a catarse da alma em sua face de criador.

E eu seria, então, a própria criação. A centelha na tua pele, que descobre, redescobre, e que, depois de desaguar, realimenta o ciclo. Água e fogo, findados em um mesmo propósito, da necessidade do oxigênio para ser, ao mover da existência.

Eu seria o acolhimento e o entendimento, e, nos meus braços, você saberia que casa é se entregar a um momento a ponto de sequer se lembrar dele ao certo depois que se esvai.

E você, Elizabeth, saberia que a fugacidade é inerente, mas, de alguma forma, saberia que todo esse ingrato conjunto de fugacidades se torna perene em quem somos.

Como você nas minhas mãos, linhas, confissões. Entranhada nas estruturas, na armadura, na semeadura. Das normalidades da vida, a cura.

Você, só você, sempre soube me fazer homem e mulher, o yin yang da completude, as verdades do universo. E eu seria pra você as galáxias, os anos-luz e as eras. Esse redescobrir da vida, a verdade.

Mas eu só posso ser eu, ínfimo homem limitado pelos próprios pensamentos. Preso nos meus desejos e projeções de possibilidades irrealizáveis. Então, faço tudo o que posso: rasgo o peito e estendo-lhe a mão. Você vem?

When everything's made to be broken, I just want you to know who I am.

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