9.5.21

Xeque

Xeque
A F#m​ D E

Há mundos que eu não sei dizer
Se existiam antes de te conhecer
Sabe, tropecei num portal
De realidade acidental

Não me venha de aviso
Sobre o seu jeito arisco
Flanco sorriso
Corro o seu risco

Não nos negue a centelha, chega e me incendeia
Ergue pra mim só uma só sobrancelha

3.5.21

Bigodinho salafrário de personagem rodriguiano

Depois de tantos depois, em uma dessas noites de dias úteis esfriando antes do que deveria a cidade cinza, o porteiro me solicita autorização no teu nome.

Me pergunto se ele confundiu a visita ou o apartamento, e, a ele, pergunto a descrição.

De alguma forma, eu já espero as imprevistas recidivas tão certeiras. Mas sem nem avisar?

Te autorizo quando me atinge o ceticismo de ser mesmo você somado à minha impossibilidade de te negar. Somam-se também a expectativa riscando o estômago e o desejo que todo o corpo domina de lavar meu apartamento de você.

Depois da subida de elevador mais demorada dos últimos seis meses, você me sorri o contraste do sorriso juvenil na cara sempre tão séria e um tanto soberba.

E me sorri com os olhos de quem finalmente cede, na curvatura que me fez cativa do bigodinho salafrário de personagem rodriguiano. E olha que carioca sou eu, mas quem trouxe as armadilhas do malandro pra me enredar foi você.