16.9.21

Clown

Era uma terça-feira quando ele me apareceu, a forma de ajeitar o cabelo atrás das orelhas, entre os óculos, e os truques de malabarismos.

A agonia dos finais de festa transformada em fervor, que sempre se recria na primeira saudação.

Então eu vi. Mas não aquilo que se mostra, como os punhos bonitos e a sequência de tatuagens. Vi a escuridão, mascarada na aura leve, expurgada nas materializações do inconsciente. E o gosto por jogar nessa dualidade.

2.9.21

Fá dobrado bemol

A perspicácia ferina, de preferência usada para endossar algum sarcasmo. As referências, também, e a pronúncia gestual do italiano com as aulas grátis de etimologia. 

E não por sabê-la, porque isso é irrelevante, mas por seu gosto por sabê-la; eis o encanto. Sempre fui disso, de gostar dos gostos alheios, e de alheio você tem tanto, irrevelável, o que só concorre para uma superfície ainda mais interessante.

De bandeja, a tua entrega sempre vazia da tua real substância, aquela mesma que se arreganha na tua arte, talvez por tua necessidade de sangrar por vias tortuosas o que tanto sufoca nas tuas paredes.

E depois vem a concentração. Não digo o talento, porque isso é vulgar e superficial demais. Mas como você fica tão imerso na tua arte a ponto de vocês dois tornarem-se um só, indiscerníveis.